ASSOCIAÇÃO É DOS MORADORES
Quem participa?
Para que realmente o trabalho da Associação funcione bem, todos os moradores da área precisam se sentir donos dela, e não apenas esperar da sua Diretoria as decisões e atitudes. É preciso se envolver, opinar, dialogar, ver quais as idéias que todos têm e colocá-las em comum, de forma que as decisões tomadas sejam as mais coletivas possíveis.
Como participar?
A Diretoria da Associação precisa estar sensível e aberta à participação de todos os moradores, mesmo aqueles que ainda não tem uma caminhada de envolvimento tão freqüente, pois, se derem condições para que isso ocorra, tais pessoas serão novas lideranças na vida do bairro. Não centralizar as atividades é a melhor forma de ampliar a participação e envolvimento de novas pessoas.
Algumas dicas:
a) Pessoas que já tem algum cargo na Igreja, na Escola ou Entidades, que lhe toma praticamente todo o tempo, não devem assumir cargos principais na Associação, pois será impossível desenvolvê-los;
b) Informar sempre à população o que a Associação está pensando ou fazendo. Para isso, usar cartazes, panfletos, alto-falantes e meios de comunicação (confiáveis) que poderiam contribuir no repasse de informações;
c) Promover atividades em horários que permitam a participação do maior número de pessoas (Ex: à noite, em finais de semana etc);
d) Diretoria e associados precisam conhecer melhor seu bairro ou município, o que acontece, seu funcionamento, as leis, etc;
e) Formar Comissões de trabalho para atuarem em área específica (esporte, saúde e etc).
Qual a área de atuação?
A realidade urbana é bastante complicada, difícil, com muitos problemas e necessidades com as quais a população convive diariamente. A Associação deve se posicionar frente a eles e, para tanto, é preciso definir qual sua área de abrangência, observando-se o seguinte:
1. Respeitar a planta geral da cidade e definir as áreas de
atuação e seus limites;
2. Pontuar áreas de risco ou de maior necessidade de
atenção social;
3. Definir as prioridades de ação e os prazos de cumprimento
das mesmas;
4. Comprometer-se como Associação representante daquela
área junto a Prefeitura, órgãos públicos ou privados, na
busca de soluções para problemas comuns.
CONHECER PARA TRANSFORMAR
Muitas pessoas já ouviram esta frase: “Só se ama aquilo que se conhece”.
Na vida comunitária também é assim. É preciso se informar, conhecer primeiro para depois poder agir seguramente.
Na história política brasileira sempre foi assim, os políticos “sabem” e o povo deve obedecer quietinho. Essa idéia ocupa nossas cabeças e é preciso desfazer esse “bicho-papão” que pensamos ser a Política.
A palavra Política vem do grego Polis (significa cidade) e quer dizer “governar na cidade”, ou como dizia o Padre Lebret (estudioso francês), “Política é a ciência, a arte e a virtude do bem comum”. Portanto, como todo ser humano preocupa-se com o bem comum, toda pessoa é política. Não é preciso pensar que isso é coisa ruim ou “suja”. Quando trabalhamos pelo nosso sustento e de nossa família realizamos um ato político. Ao organizar uma casa, a educação dos filhos, a dona de casa está sendo política. Somos animais políticos e é preciso usar a política como instrumento de transformação do que está errado.
Isso tem a ver conosco?
Tem tudo. Ao assumir a responsabilidade de liderar ou participar de uma Associação à pessoa está colocando-se a serviço, está fazendo ação política e gratuita em prol da comunidade. Sempre há quem faz má política. São aqueles que se servem dela para se promover pessoalmente e se acham no direito de se impor sobre outras pessoas e esbanjar palavras: “Minha Associação...!”, “Eu vou fazer pra vocês!”. A conquista de direitos não é honra de um, mas do conjunto, de todos.
Há muito que se aprender nos trabalhos comunitários. É preciso entender cada vez mais como é que funciona o sistema neoliberal, como se organiza nossa sociedade, quais são e o que dizem as novas leis. Quando se tem dúvida é preciso chamar mais gente, estudar, chamar pessoas que tenham maior contato com o assunto, para ajudarem a esclarecer as dúvidas, etc. O que não pode é DEIXAR DE CONHECER.
O papel dos cidadãos esclarecidos passa a ser mais ativo na vida da comunidade. QUANTO MAIS A PESSOA SABE, MAIS É RESPEITADA. E isso não pode ser mérito apenas de quem estudou mais.
As autoridades conhecem bem o movimento popular?
É claro que o poder público em todos os níveis (local, estadual e nacional), conhece muito bem a força que o povo organizado tem. Muitas pessoas que hoje estão na condição de autoridades políticas começaram sua vida política numa Associação de Moradores. Conhecem por dentro como funciona e, por isso, quando não concordam com uma crítica às suas ações, ou reprimem fortemente as organizações do povo ou as desprezam, ignoram, fazendo de conta que não existem.
É preciso lembrar sempre que:
Pobre não é sinônimo de incapaz;
O saber que tenho deve ser partilhado com outras
pessoas, para enriquecê-las com novas experiências;
A luta para se construir algo não é só de um, é de todos;
Se acho errado algo que já esta feito tenho que participar
da discussão conjunta para que o problema seja resolvido;
A participação de uma pessoa, por menor que seja, é
muito importante.
Para se conhecer é preciso informar, se formar. Há diversas maneiras de se contribuir com a formação:
a) Através de boletins mensais com assuntos de interesse popular, distribuídos gratuitamente aos moradores. Além de informar, o “jornalzinho” forma opinião;
b) Na prestação e realização de cursos, encontros, palestras sobre assuntos de interesse local;
c) Na parceria com ONG's, Sindicatos e outras entidades que se disponham em ajudar a discutir algum tema ou projeto;
d) Na atualização e divulgação sempre constante de dados, pesquisas, que mostrem a realidade atual de determinada área (ex:desemprego). Só é possível mudar a realidade ruim para uma mais humana e digna se todos a conhecerem bem, juntarem esforços e lutarem para a mudança. CRUZAR OS BRAÇOS QUASE NUNCA É A MELHOR DECISÃO.
O famoso filósofo grego, Sócrates, morreu afirmando “só sei que nada sei”. A nossa vida nos ensina sempre, até o ultimo momento. Por isso, na Associação é sempre bom que pessoas participem das reuniões formativas, cursos, passeatas e todas as formas de aprendizado que sempre trazem algo a mais para a “bagagem intelectual” das pessoas.
E O TEMPO? Esta aí um fator importantíssimo a ser considerado. Às vezes as pessoas não têm paciência nem consigo mesmas, quanto mais com a dinâmica dos movimentos que tem serviço de montão e pouquíssima gente para levar em frente à luta. Não se pode querer tudo mudado de hoje para a semana que vem. Nem sempre isso é possív
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