quinta-feira, 2 de junho de 2016

REFORMA URBANA: UMA NECESSIDADE

REFORMA URBANA: UMA NECESSIDADE 

No dia-a-dia de uma Associação se luta por habitação, transporte, saúde, educação, meio ambiente sadio, saneamento básico, segurança pública, etc, sempre com a finalidade de melhorar a qualidade de vida da população. A luta maior da associação se dá frente ao poder público e é a partir desse enfrentamento que a situação do bairro vai se definindo.
A lógica dos setores dominantes nas cidades tem transformado, no decorrer dos anos, os direitos de cada cidadão em mercadorias que para serem compradas necessitam poder aquisitivo (dinheiro) para se pagar o preço estabelecido. Essa visão faz com que a riqueza se concentre na mão de poucos e a pobreza e miséria se distribuía entre a maioria da população. 
O resultado dessa realidade é um crescente numero de sem-teto, sem-terra, prostituição, crianças na rua, violência, favelas, lotes irregulares, sucateamento da saúde, etc. 
Para enfrentarmos esta situação todo dia, os Movimentos Populares foram se organizando mais e, assim, surgiram vários movimentos específicos: Moradia, Saúde, Educação, Transporte, Saneamento, etc. Esses movimentos, com tantos anos de luta e experiências, não conseguiram resolver todos os problemas definitivamente.
É importante lembrar que muitas vezes as reivindicações do movimento são atendidas, mas que muitos proprietários ou empresários, acabam se enriquecendo com a solução desse ou daquele problema. Ex: em muitas vezes o Movimento pelo Transporte conquista a ampliação da linha de ônibus para determinado bairro. O prefeito faz um Projeto cheio de curvas, por muitos terrenos vazios (de imobiliárias ou de especuladores), que ganham muito dinheiro com a valorização de seus terrenos. Em outras vezes, o prefeito e vereadores resolvem fazer um Conjunto Habitacional ou Loteamento bem longe da cidade para aumentar o preço das terras intermediárias ali existentes, que ficarão servidas de rede elétrica, água, asfalto, rede de água, ônibus, etc.

O que fazer para que isto não aconteça mais?

Para se resolver esse problema é preciso que os movimentos organizados se unam e enfrentem a raiz dos problemas que é o sistema neoliberal, que hoje se espalha pelo mundo, e sua lógica de construir a cidade.
Quando os Movimentos de Moradia, Saúde, Segurança e outros se articulam e lutam em conjunto, unidos, chamamos essa luta de REFORMA URBANA. Assim, estão resgatando a luta pela democratização da cidade e de sua construção coletiva. É o que alguns chamam de “Direito à Cidade”. 
A Reforma Urbana melhora as condições de vida da cidade como um todo. Do mesmo modo como as melhores terras garantem melhores e maiores produções e, portanto, maior renda, as áreas mais valorizadas garantem melhores condições de vida, maior oferta de serviços, menor necessidade de transporte, o que quer dizer ganho de tempo e economia de dinheiro. 
Lutar por Reforma Urbana é lutar por um lugar na cidade, é garantir melhor acesso e melhores condições de serviços. Por isso a Reforma Urbana é uma luta de todos. De que adiantam boas escolas se for quase impossível deslocar-se até elas? De que adianta ter um Posto de Saúde se no seu local de moradia não tem água, esgoto tratado e as crianças passam o dia brincando dentro de valetas mau-cheirosas, a céu aberto?


NÃO TER O “RABO PRESO” 

Apesar de tantos problemas enfrentados e não resolvidos pelas autoridades eleitas pelo povo, não é difícil escutar o seguinte comentário, quando uma Associação resolve puxar uma luta: “Isso não vai para frente, porque não tem nenhum vereador ajudando”, ou, “tem que chamar o vereador fulano para ele resolver o problema”, ou ainda, “não pode comprar briga com prefeito senão ele não dá bola pra gente”. 
Pois bem. Vamos tentar refletir sobre isso. 



Quando, numa luta, aparecem comentários como este, é bom refletir com seriedade. Primeiro é importante encarar os direitos não atendidos pelas autoridades como uma negação à nossa cidadania. Ser cidadão é lutar pelos direitos e poder usufruir deles. 
Segundo. A própria história dos movimentos mostra que, quanto maior a sua independência, melhores condições ele terá para pedir esclarecimentos e exigir soluções
Em Terceiro lugar, a confiança exagerada em um “político”, desmobiliza as pessoas porque desacredita toda a força transformadora que nasce a partir da união do povo. 
A conclusão de muita gente acaba sendo: “Porque participar se o fulano vai resolver a situação?”. 
Acontece que o fulano não resolve! Se resolvesse, a maioria da população não estaria vivendo (ou sobrevivendo) a duras penas, não haveria tanto descaso por parte das autoridades. 
Vamos dar um exemplo, a desapropriação de áreas vazias não é do interesse de políticos donos de imobiliárias ou amigos de especuladores. 
Com o “rabo preso”, nem mesmo bichinho gosta de ficar, não é mesmo? Muito menos Associações de Moradores, que devem garantir democracia, autonomia e independência, para ser espaço de construção da verdadeira cidadania

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